domingo, 24 de maio de 2009

Arrependimento


Vi o Caio semana passada, ele estava lá na frente da casa do meu amigo, os dois estavam conversando, não quis atrapalhar, fiquei olhando por alguns minutos, e como o assunto parecia bastante interessante, eu dei meia volta fui embora.

A uns três dias a trás eu encontrei com ele na fila do banco, ele estava falando com alguém pelo celular, parecia tenso, estava com a testa franzida devia ser um assunto sério, não quis interromper. Paguei minha conta e fui embora.

Anteontem eu vi Ele na papelaria em frente ao meu trabalho, fiquei olhando de longe. Ele estava comprando um envelope amarelo, imaginei que fosse para alguma coisa do trabalho dele, talvez precisasse colocar algum documento ali. Pensei em atravessar a rua e ir falar com ele, mas achei meio invasivo, até porque estávamos no horário comercial, e ele deveria estar ali tratando de assunto de trabalho.

Ontem eu estava saindo de casa, quando recebi uma carta. Era um envelope amarelo, e na carta dizia:

"Meu ex amor,

Estou lhe mandando esta carta para dizer coisas que eu queria ter lhe dito pessoalmente, mas como não nos encontramos facilmente, tenho que lhe dizer através desta carta.

Queria que você soubesse que eu te amei, te amei verdadeiramente, te amei da melhor forma que um homem pode amar uma mulher. Eu te quis, te quis como um homem quer a mulher da sua vida, te quis como se você fosse a ultima mulher da face da terra. Eu te desejei assim, com toda a intensidade que o meu coração e que meu corpo pode desejar alguém.

Mas agora eu decidi te esquecer. Não quero amar alguém que nem me olha, que nem liga pra mim. Não aguento essa indiferença, preferiria que você me odiasse, mas a indiferença é demais para o meu pobre coração.

Semana passada eu fui na casa do teu amigo, o Toni. Conversamos durante um bom tempo sobre você. Tentei saber através dele o que estava acontecendo contigo, porque você não aparecia mais. Ele não me deu motivos, disse que você deveria estar trabalhando demais, mas isso não me convenceu, quem gosta mesmo vai a trás, ou pelo menos telefona.

Por isso resolvi partir. A uns três dias eu fui ao banco para poder pagar a minha passagem. Lá eu pensei em mudar de ideia e não viajar mais, liguei para o seu celular e deixei vários recados e você não me respondeu nenhum deles. Fiquei irritado comigo mesmo por te amar tanto assim, e não ser correspondido.

E finalmente, anteontem eu comprei esse envelope, essa folha de papel e esta caneta para escrever esta carta. Foi com muita dor no meu coração que eu a escrevi. Mas acho que foi a decisão correta, diante da situação.

Estou partindo da cidade as 11:00hs. Quando você estiver lendo esta carta eu já terei embarcado, pensando em você. Mas espero que esta seja a ultima vez que você apareça em minha mente.

C.A."


sábado, 16 de maio de 2009

Escrevendo o Futuro


Eu tinha a ultima página do meu caderno reservada só pra desvendar meu futuro. Usava para fazer aquelas brincadeirinhas que achamos suuuuuper reveladoras em que o seu futuro é decidido por uma contagem hora progressiva, hora regressiva em que uma caneta parando no lugar errado acaba, na hora, com metade dos seu sonhos.
Tais brincadeiras eram sempre motivo de atração das amigas que ficavam querendo adivinhar os nomes dos pretendentes que teriam a honra de ocupar as três linhas reservadas para "com quem você quer se casar". Os nomes eram sempre os mesmos, os daqueles meninos da sala que você fingia nem olhar, mas que ocupavam um lugar de honra na sua inocente brincadeira com fins bastante sérios. Afinal, estavamos falando do nosso casamento, né? não é qualquer bobagem!

Depois da constrangedora e delicada missão de escolher seus pretendentes, as meninas escolhiam onde iriam morar. Ah, essa parte era fácil. Paris, São Paulo e é claro, nossa cidadezinha do coração, da qual não queriamos sair mesmo. Ficar longe da mamãe do papai? não dá! Fazíamos a escolha das cidades em meio a uma discussão que se gerava entre as amigas, umas achando essa cidade chata, aquelas achando sem graça, enfim, querendo ou não você mudava o nome da cidade em que você iria morar, pelo menos uma vez. Porque não dá pra escolher uma cidade pra morar o resto da vida, sem que suas amigas aprovem, não é?

Logo em seguida, a aprendiz de cigana/Mãe Diná escrevia no papel o numero de filhos que você iria ter. Os numeros variavam de 1 a 5. Você olhava para aqueles numeros torcendo para não cair no 4 ou no 5, nenhuma de nós queria ter mais filhos que nossas próprias mães. Nós eramos crianças e justamente por isso imaginávamos como seria lidar com mais três ou quatro clones de nós mesmas, ou com mais dois clones do Léo lá da sala. Não dá!
Em seguida a futura cartomante colocava no topo da página como seria a sua conta bancaria. ela escrevia milionário, nossos olhos brilhavam; rico, riamos e dizíamos que iriamos nos casar com um homem rico e que juntando tudo não ia ter problemas; pobre, uma certa preocupação pairava no ar, e se não casássemos com um rico? e se eu for mal-sucedida em medicina?não queríamos ser pobres!; miseravel, era um momento delicado naquela brincadeira de realidade, e se eu fosse uma miseravel mesmo? e se aquilo fosse um sinal? momentos de tensão.

Por fim, a Filha Diná nos perguntava a idade que queriamos nos casar. por volta dos 26, 28 anos, não muito cedo, porque o primo do meu tio já tá com 26 e diz que só que se casar bem mais tarde, e nem muito cedo, porque a amiga da minha prima engravidou aos 23 e crucificaram a garota tadinha, dizendo que ela já ia casar e perder metade da vida.

A tarologa mirim começa os trabalhos, conta em voz baixa, passa a caneta de um lado pro outro, risca uma coisinha aqui, outra ali, e você vê seu futuro se desenhando na ultima página do seu caderno. Ela risca Paris da sua lista, você fica triste, sua "amiga" diz: eu sabia que você não ia morar lá mesmo. raiva! A outra conta e reconta, conta de frente pra trás e de trás pra frente, risca uma coisinha aqui e outra li. Algumas vezes você se sente aliviada, afinal já riscou o "miserável", o "pobre" e os seus cinco futuros filhos são abortados antes mesmo de serem concebidos.
Eis que a primeira revelação é feita, a premonitora, em um tom de voz peculiar diz: sinto muito, mas você não vai casar com o Paulinho. Começam os risinhos, as conversinhas, e você, arrasada com a noticia diz: dãã, eu nem queria mesmo, só coloquei o nome dele por colocar. Mentira! mentira pura! você está gritando por dentro, droga! mil vezes droga!

Bom, como sempre otimista e nunca querendo ficar por baixo, olhava sorridente para São Paulo e para minha futura conta bancária com esperança.

Mais umas voltinhas com a caneta e está decretado! vou ter dois filhos. Ufa! na hora nós começamos a discutir o sexo e os nomes, eu é claro, quero ter um casal. Minha amiga queria ter duas meninas, eu não, tenho uma irmã mais nova e sabia o quanto isso é chato! Se ela tivesse uma irmãzinha ela não desejaria esse mal para seus filhos, tadinhos.
Com um ar mistério, a astróloga juvenil diz que eu serei rica. Bom, muito bom. Meus problemas com a mamãe no shopping chegarão ao fim. E junto com essa noticia boa, chega uma tão boa quanto essa, eu morarei em São Paulo. Uma cidade agitada, que nunca para, assim que nem eu.
E como sempre, o gran finale! Eis que surge no meio de tantos riscos e rabiscos, idas e vindas da caneta, o nome dele, o nome do meu futuro marido. É, sobrou só o Rafa. Risada geral. Da minha lista ele era o ultimo, aquele que eu não queria, aquele que eu coloquei só por que a Tatá disse que ele era afim de mim, e que ela queria que eu gostasse dele. Afe!

Duas ou três garotas que assistiam ao espetáculo do meu futuro, saíram correndo pra avisar pro Rafa que eu ia casar com ele. Gritei para que elas não fossem, mas eu sabia que era inútil, e que mais tarde minha vida futura já estaria na boca do povo.

O show terminou, minha ansiedade cessou, meu destino já havia sido traçado. Só restava eu me conformar, e olhar de cinco em cinco minutos para minha vida futura bem ali, na ultima página do meu caderno.


segunda-feira, 11 de maio de 2009

"Um dia feliz, as vezes é muito raro"


Era uma noite qualquer, noite dessas em que a lua não aparece e que faz frio

Eu estava abrigada debaixo da sacada

Estava tudo como deveria ser, às 23:30hs ele chegou

pareceu-me cansado, deveria estar sem dormir a algum tempo

Ele me deu um beijo, desses beijos normais em que fechamos os olhos e nos deixamos levar pelo que já sabemos, pelo que já conhecemos, foi um simples beijo

Conversamos sobre bobagens, demos algumas risadinhas forçadas e ele me abraçou

Eu nem senti, foi um abraço normal, desses que damos para não ficar mais tempo longe


Eu cansei de dias normais

Cansei de ser assim, normal, eu não vejo mais a graça das coisas, ser normal pra mim, é ser mecânico. É quando está tudo programado e repetitivo. É quando eu não sinto, eu apenas faço.


Ele foi embora, me despedi normalmente, com um abraço e um beijo normal


Ele chegou

Ele me atrai, me conquista com apenas um sorriso, e suas palavras são música para meus ouvidos

Ele me beijou no rosto, senti cada milímetro daqueles lábios encostando na minha face

Ele me abraçou, eu senti o calor do corpo dele esquentando minha pele fria

Ele me falou coisas que eu não escuto todo dia, eu me arrepiei com o som da sua voz

Meu coração disparou


Isso não é normal, isso é diferente


Eu não costumo ser assim, não costumo sentir tudo isso em apenas um beijo e um abraço

Mas eu gosto disso


Resolvi escolher, entre eles

Optei pelo diferente

Pensei em tudo de bom que poderia acontecer, coisas que agora eu nem consigo planejar

Cansei de beijos normais e dias normais


Eu quero olhar para a lua e deixar ela me guiar. Quando não tiver lua eu quero ver as estrelas e dar nomes a elas

Eu quero que ele chegue às 23:30hs e só saia quando eu quiser

Eu quero que ele me beije e me faça sentir além dos lábios, quero sentir o coração

Eu quero que quando ele me abrace eu não sinta apenas os braços, quero sentir a força de uma paixão

Eu quero amar


Deixei o outro no passado, ele agora me serve de comparação

não quero menosprezar a minha antiga vida normal

Eu só que quero exaltar a minha diferente vida nova.
Por: Luísa Porto

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Pensamentos

Bia está ali, sentada naquele banco que eu vejo todos os dias
aquele banquinho feio, preto e enferrujado
Ela está lá, sentada e olhando pro nada, ela não se mexe, ela pensa
E eu olho

Queria pensar também
queria pensar no que ela pensa
tento olhar para onde ela olha, não consigo, parece muito longe, e eu não enxergo

A Bia é linda, tem olhos azuis da cor do mar, olhos que me intrigam, olhos profundos e misteriosos, olhos tão belos assim devem enxergar muito longe, devem ver o que eu não vejo.
A Bia não se mexe, por que? ela continua olhando para...bom, agora eu vejo dois vaga-lumes
os vaga-lumes se mexem, eles voam para cima e para baixo
Mas a Bia não acompanha os vaga-lumes, ela olha fixo, acho que ela não vê os vaga-lumes.
A Bia tem cabelos compridos e negros, eles voam conforme o vento bate neles
alguns fios de cabelo caem sobre o rosto da Bia, mas ela nem se importa, ela está pensando
Algumas pessoas passam pela Bia, e ela nem vê
Queria saber o que ela está pensando

A Bia se levantou! Como ela é linda! A Bia se mexeu, agora ela pensa e age
ela agora anda, ou melhor, ela flutua, agora a Bia sorri, ela parece feliz
Eu queria pensar o que a Bia pensa, ela parece feliz com seus pensamentos

Um rapaz se aproximou da Bia, eles se beijaram.
Caiu uma lágrima dos meus olhos
Caíram duas lágrimas dos meus olhos

Eu amo a Bia

Agora eu acho que sei no que a Bia pensava. Ela está apaixonada
A Bia não viu os vaga-lumes, ela não sentiu o cabelo no rosto
A Bia agora está com ele, ela não deixou de ser linda

Eu sei que a Bia ama ele, ela não olhou para mais nada, ela só pensou
Eu também estou amando, eu amo a Bia
Eu também não olhei para mais nada, eu olhei só para ela e pensei, pensei nela

A Bia beijou seu amado
E eu, escrevi um poema.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Sentimentos


Pessoas passam por mim e eu não as vejo
Olhos me seguem, vigiam meus movimentos
Bocas agem mais do que pernas
Mãos acenam, tocam e não me chamam atenção
Pessoas não me metem medo
Bocas, olhos e mãos não me assustam mais
Figuras, superfícies já não me atraem como antes
Agora eu quero sentimento, qualquer que seja ele
Quero sentir a força de um olhar
Quero sentir a doçura de uma boca
Quero sentir o afago das mãos
Quero sentir o calor das pessoas
Me deixa sentir? Não quero ver, obrigada.
Não preciso ver... preciso chegar perto pra sentir tua mão
Preciso te beijar pra sentir tua boca
Preciso que me olhes pra sentir a veracidade do teu olhar
Agradeço as fotos, flores e mensagem
Mas eu troco por você aqui, ao meu lado
Pra eu te sentir, para nos sentirmos.


Por Luísa Porto

domingo, 26 de abril de 2009

O Primeiro Beijo

Bia morava no segundo andar do Ed. Tamoios e morava no apartamento acima ao do Léo, que também tinha doze anos. Os dois conviviam na vizinhança desde bebês e Bia era apaixonada por ele.
Todas as amigas de Bia sabiam que ela gostava dele, mas sempre tímida, ela não tinha coragem de se declarar, ainda mais porque ele era lindo, tinha olhos azuis, cabelos loiros caindo nos olhos e era dono de um sorriso impecável, a fofura em pessoa. E provavelmente já tinha beijado outras garotas, enquanto que ela não havia beijado ninguém.
Foi sábado à noite, depois do aniversário da Lú no salão de festas do prédio, que tudo aconteceu. Bia estava com um vestido cor-de-rosa e ele disse que ela estava linda como a Barbie, as amigas dela piraram quando Léo disse isso, deram gritinhos e fizeram comentários, enquanto que ela consegui, no auge do seu desembaraço, acenar com a cabeça e sorrir. Ele parecia envergonhado com aquela situação, foi quando Bia sorriu e disse que tinha que subir. Ele pediu para acompanhá-la e ela aceitou.
Bia estava eufórica, o coração batendo a mil, ela sentia o sangue subir para as bochechas a cada palavra que ele falava, que ela envolta em pensamentos era incapaz de ouvir. Eles subiram pela escada. Ao chegarem ao andar dele, Léo parou. Ele disse boa noite a ela, Bia ficou parada contemplando esse momento tão surreal, ela começou a pensar em mil coisas, várias declarações quando ele inesperadamente a beijou. O beijo durou uns 10 segundos, mas para ela pareciam horas de pura emoção. Foi perfeito.
Quando o beijo terminou, Bia não disse nada. Não havia nada a ser dito. Ela subiu correndo o restante das escadas, fechou a porta, retirou rapidamente os sapatos, desligou a luz e deitou-se na cama, ofegante. Tudo porque ele havia lhe dado um beijo de boa noite.



Por: Luísa Porto

terça-feira, 14 de abril de 2009


Neste momento, penso em você
E então quisera me transformar em vento
E se assim fosse,
Chegaria agora
Como brisa fresca
E tocaria leve sua janela.
E se você me escutasse
E me permitisse entrar,
em você me enroscaria
quase sem o tocar
Roçaria seus cabelos,
Sopraria de mansinho no ouvido,
Beijaria sua boca macia,
O embalaria no meu carinho
Mas eu não sou o vento...
Agora sou só pensamento, e estou pensando em você
E se abrir a janela,
Eu estarei chegando ai
Agora... neste momento
Em pensamento... no vento.
(Autor desconhecido)